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O mocambo

O mocambo Maracatu Leão Coroado

A INSTITUIÇÃO

Maracatu Leão CoroadoMaracatu Carnavalesco Misto Leâo Coroado,sociedade civil de carater cultural, sem fins lucrativos, fundado na cidade do RECIFE EM 08 DE DEZEMBRO DE 1863,Tem por objetivos participar de eventos carnavalescos,estudar, promover,defender e divulgar as manifestações carnavalescas, realizar documentação,pesquisas, estudos e divulgaçâo das suas atividades; atuar junto a autoridades religiosas,politicas e educacionais no sentido do reconhecimento, prestigio e respeito às várias formas populares de expressâo cultural: promover a documentaçâo do patrimõnio literario,musical e coreografo do folguedo: o respeito aos direitosde imagem e outros dos artistas populares e artesâos:promover a produçâo de fantasias e adereços carnavalescos:promover cursos: colaborar na divulgaçâo das suas  atividades. O  Maracatu Carnavalesco Misto Leâo Coroado nâo distribui lucros,bonificaçôes,dividendosou outros benificios aos seus associados,nem remunera seus dirigentes.

A TRADIÇÂO

As primeiras irmandades do Rosário seriam ainda do tempo de Anchieta. Os compromissos (estatutos) das irmandades de Pernambuco são em sua maioria do  século XVIII.

As irmandades eram criadas por motivos revolucionais e pios; a realizaçâo dos cultos religiosos, a  pratica dos sacramentos, a difusão da oração do rosário,a catequese e iniciaçâo religiosa, a comemoração das festas religiosas, a encomendação, o enterro e as missas de defuntos. Tal como as confrarias dos  europeus, a dos africanos e afro-descendentes,sem    se desviar dos seus estatutos exerceram funçôes sociais mais amplas.

Como instituição associativa,as irmandades exerceram um importante papel na reorganizaçâo socilal dos escravos, na reconstituição de suas comunidades fora das vistas e da influencia  direta dos seus senhores.Vale lembrar que os escravos eram procedentes de lugares e  culturas diversas, falando línguas africanas diferentes entre si. As irmandades integravam os escravos à cultura européia e não apenas a religião cristã.

Um aspecto que se destaca é o caráter beneficiente. Era inerente a sua atividade a visita e o socorro ao enfermos, velhos e encacerados. Em algumas regiões as irmandades funcionaram como caixas beneficientes de alforria, emprestando aos irmãos escravos quantias necessárias à compra de sua liberdade; reclamavam às autoridades dos senhores que se excediam nos maus tratos aos escravos e intermediavam as compras dos escravos mais visados pelos senhores para castigos exemplares; se cotizavam para obter as importâncias necessárias a obtenção de alforrias; constituiam dotes para casamentos de filhos de seus associados; mantinahm serviços funerários para transporte e enterro dos irmãos defuntos.

Do ponto de vista da hierarquia católica as irmandades dos africanos e afro-descentes constituiam um caminho para que abandonassem as suas crenças e costumes de origem, e se sentissem participantes da sociedade colonial, amenizando assim a situação de escravidão, que pela lei civil os considerava meros objetos. Em muitos casos esta intenção de abandono das raízes não se concretizou, servindo as irmandades de mera  fachada para ocultação da sobrevivência de manifestações culturais africanas. Em Pernambuco os mais famosos pais de santo de linha nagô foram membros das irmandades católicas!

A tradição católica associou festejos profanos  às comemorações litúrgicas. A devoção religiosa esteve sempre ligada ao lazer. A devoção a Nossa Senhora do Rosário não poderia fugir a regra e portanto desenvolver manifestações lúdicas .

Ainda em Portugal, os africanos tiveram sua festa profana de comemoração do Rosário.

Há indicações de que já aí, se coroavam reis negros.

Em quase todos os compromissos das irmandades negras brasileiras há autorização para escolha de reis negros na Festa do Rosário.

Muito se tem discutido quanto as origens da festa de reis negros. Ora se considera nitidamente européia, filiadas às Reinagens da Idade Média – escolha de reis ou imperadores de festas, que reuniam por dia; ora se filia à tradição africana de coroação de reis e conflitos de dinastias. Mário de Andrade chega inclusive a identificar uam rainha Ginga, personagem histórica africana, como heroína dos entrechos dramáticos.

No Brasil, a existência de reis negros foi considerada como elemento de ajuste social do escravo, uma vez que sua autoridade ultrapassaria o âmbito da própria festa – alguns reinavam até a coroação de outro, no ano seguinte e havia até os reis perpétuos. Deste modo, pode ser encarado como mais um instrumento de dominação branco.

Os entrechos dramáticos que foram documentados exaltam as virtudes do cristianismo e os poderes do Rosário, indicando uma intenção catequética. São talvez originários de autos catequéticos tão praticados pelos jesuítas entre nós. Alguns podem ser filiados aos folguedos que representam a luta entre cristãos e infiéis, com a derrota e a conversão destes.

É possível deduzir-se de atas, narrativas de viajantes estrangeiros, notícias e crônicas em jornais, desenhos e pinturas, dos séculos passados que originalmente as Festas de reis negros se constituíam de:

a) cortejos – desfiles processionais entre a resedência do Juiz da Festa, ou do Rei do ano anterior até a Igreja ou praça, com os integrantes vestidos em trajes da irmandade ou em trajes da gala, ao modo dos personagens das cortes reais;

b) a presença de guardas reais, com espadas ou bastões;

c) a coroação do rei e da rainha da festa, ou dos reis e rainhas, por grupos étnicos africanos presentes à festa;

d) a dramatização da luta entre um rei cristão negro e um rei pagão, com a vitória do cristão e convenção do seu adversário, ou de uma sublevação na sua corte;

e) a presença de bonecas conduzidas por damas;


É evidente, que nem todas asirmandades chegaram a realizar festas com todos estes elementos. Todavia, o aparecimento de vários , ou alguns destes elementos, nas festas de diversas regiões faz crer na difusão de um modelo, ao menos na sua estrutura, com acréscimos de elementos decorativos secundários locais.

A festa dos reis negros  se diferenciou em manifestações locais , com diversas denominações.  Para isto terão contribuí o isolamento entre as diversas cidades,diferentes reações e inflências da sociedade envolvente e sobretudo, a predominância na regão de algum grupoétnico africano – as denomiações congos, moçambiques, cambindas parecem confimarb esta hipótese.Umas continuam vinculadas às festas do Rosário ou de santos tidos como negros,como São Benedito, Santa Ifigênia,Santo Elesbão e Gaspar,o rei mago negro do presépio e realizadas no  mês de outubro,tradicionalmete o Mês do Rosário ou  na festa de reis (6 de janeiro).Outros se desligaram do festejo religioso e passaram aintegrar o carnaval

Entre os diversos folguedos existentes no Brasil, pode-se identificar os procedentes da festa reis negros pelos seguintes elementos,(despresando-se outros de cará decorativos):

a)O sentido de representação dramática, ainda que sem entrecho narrativo verbal;

b)O carátera  africano  da origem do  festejo;

c)A  existencia  de  grupo de  representaão de uma  guarda  real, com formação de  estilo militar, mesmo quando não  hajam personagens reais.

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