1. TERRAS QUILOMBOLAS NA FLONA
O
edital de concessão da Flona Saracá-Taquera não reconhece os direitos
quilombolas e os limites do nosso território. O mapa apresentado no
site do SFB - que não temos cópia - sinaliza uma área de
"reivindicação-quilombolas" a partir do mapa que encaminhamos. Mas essa
referência está longe de ser um reconhecimento oficial da parte do
governo sobre as terras que ocupamos e a que temos direito por lei.
A
delimitação e titulação de nossas terras bem como a sua exclusão da
área de concessão florestal é um direito e precisa ser respeitado e
reconhecido oficialmente não podendo constar como área meramente
"reivindicada".
Na carta do diretor-geral, o Serviço Florestal
Brasileiro não assumiu o compromisso de identificar oficialmente o
território quilombola. O SFB e o INCRA precisam primeiro identificar e
reconhecer formalmente nosso território para depois dar início à
concessão.
2. NÃO FOI FEITO ESTUDO DE IMPACTO
A carta
do SFB reafirma o que denunciamos: não foi realizado um estudo para
avaliar qual será o impacto da exploração da Flona para as comunidades
quilombolas que lá moram.
O plano de manejo que substituiu o
estudo de impacto ambiental data de 2001 e não reconhece o território
quilombola, como já denunciamos para o IBAMA muitas vezes.
Se
o SFB pretende substituir o estudo de impacto pelo plano de manejo
precisa primeiro refazer o atual plano de manejo antes de iniciar a
licitação e concessão.
3. OS QUILOMBOLAS NÃO FORAM CONSULTADOS
As
visitas nas comunidades mencionadas na carta foram realizadas e também
as reuniões do conselho da Flona e a audiência pública, mas isso não é
igual a consulta prévia aos quilombolas como garante a Convenção 169 da
OIT.
A ARQMO reafirma que os quilombolas não tiveram um
momento de diálogo próprio com o SFB para apresentação oficial do
edital divulgado. E não teve chance para se pronunciar formalmente
sobre os termos do edital. Se essa oportunidade nos tivesse sido dada,
não estaríamos recorrendo à cartas públicas.
Exigimos que o
direito a consulta prévia aos quilombolas seja obedecido pelo governo
para que possamos chegar a um acordo sobre as condições prévias a serem
cumpridas pelo SFB para abrir a concessão bem como as compensações por
danos e a participação dos quilombolas nos benefícios que essa
concessão produzir.
POR ESSAS RAZÕES REIVINDICAMOS QUE A CONCESSÃO DEVE SER INTERROMPIDA ATÉ QUE:
1. Sejam delimitadas e tituladas as terras quilombolas.
2. Seja realizado o estudo de impacto ambiental e novo plano de manejo da Flona.
3. Seja realizada a consulta aos quilombolas como diz o artigo 6º da Convenção 169 da OIT mediante procedimentos apropriados.
Esperamos
que o SFB e a Comissão de Gestão de Florestas Públicas considerem
nossas reivindicações e nos chamem para um diálogo e busca de uma
solução conjunta.
Oriximiná, 23 de julho de 2008
Concessão florestal ameaça Quilombolas do Pará
A Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO) agradece a resposta Dr. Tasso Rezende de Azevedo Diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro de 22 de julho de 2008, mas volta a declarar publicamente que a concessão da Flona Saracá-Taquera não respeita os direitos quilombolas.




