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Discussão de gênero une as mulheres do Encontro


Hoje depois do almoço, aconteceu uma roda de conversa sobre a questão da mulher nos quilombos, urbanos e rurais. Participaram muitas mulheres do Encontro, em um clima de confidência, compartilhamento e união. Depoimentos pessoais, e experiências de associações de luta pelos direitos da mulher, abordaram o tema do empoderamento das mulheres. Para que ela se fortaleça, para que ela possa: "Eu posso, ela pode".

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Foi conversado sobre a necessidade de fortalecer o processo desde infância e adolescência. A questão da sexualidade, da prostituição e do tráfico, das demandas para a mulher urbana no sistema. "Se tem a oportunidade de cumprir o que pede o sistema, ele pode destruir a cabeça de uma menina". Os depoimentos das quilombolas mais distantes do ambiente urbano se queixam da violência contra a mulher, fisica, e da falta de oportunidade de voz e de atuação dentro da comunidade. Como a dependência financeira acaba potencializando a violência física, psicológica, ameaça, chantagem. A violência familiar, pela falta de recursos, impossibilita a mulher de combater essa situação. Destruindo sua auto-estima e sua liberdade.

Também foi dito da importância de educar os jovens homens adolescenes, para que o machismo não cresça: "Vocês falam muito de transformar a cabeça das mulheres, mas não de transformar a cabeça dos rapazes. Tirar da cabeça dos homens essa coisa do machismo. Para que ele não seja futuramente um desses maridos agressor e machista, que veja sua mulher de igual para igual. Provedora, companheira, que vá admirar isso na sua mulher, na sua filha, na sua esposa".

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Foi falado do preconceito dentro do trabalho. Exemplo de políticas básicas de atenção à mulher que não alcançam as comunidades. A questão das cotas: para termos mais mulheres negras médicas, delegadas, professoras...

A Oficina de gênero, tirou como proposta a continuação da conversa, para o encaminhamento de ações para a questão da voz e da posição da mulher negra e quilombola para a contrução da REDE. Formular e apresentar para o poder público, até o final do encontro, um mapeamento das comunidades em que os programas do governo não chegam. Através da cobrança e do acompanhamento das ações e programas dos governos, tanto estaduais como federais, fazer chegar até nós, mulheres quilombolas, nossos direitos de acesso.

"Primeiro a gente fala tudo, depois a gente põe ordem na casa". Porque são poucas as oportunidades de termos tantas mulheres, e tão diferentes, de tantos lugares, debatendo no mesmo lugar. Por isso vão continuar a conversa amanhã, meio-dia.

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