LIDERANÇA QUILOMBOLA DESAPARECE MISTERIOSAMENTE QUILOMBO PRAIA GRANDE – MUNICÍPIO DE IPORANGA VALE DO RIBEIRA – ESTADO DE SÃO PAULO
Morte por causa de terra, no Brasil, não surpreende mais ninguém, porque desde antes de 1.500, esta é uma prática comum, assim como é comum que os culpados permaneçam impunes. O que surpreende é que neste ano, mortes de camponeses e líderes têm ocupado com frequência a mídia.
No Vale do Ribeira, não está sendo diferente,
embora seu caso não tenha alcançado a grande mídia, talvez até mesmo por
causa da cobiça que ronda a região pela sua grande riqueza em
biodiversidade e grande potencial turístico.
Acontece que no dia 18 de fevereiro desde ano,
desapareceu misteriosamente, o SR. LAURINDO GOMES, liderança da
COMUNIDADE REMANESCENTE DE QUILOMBO DE PRAIA GRANDE, Município de
Iporanga, Estado de São Paulo.
No dia 18 de fevereiro, por volta das sete (07)
horas da amanhã, Sr. Laurindo, que era também agente comunitário de
saúde, dirigiu-se para as margens do Rio Ribeira de Iguape, onde tomaria
o barco (único veículo para sair do Quilombo). Carregava um balde de
mel, algumas abóboras e uma mochila.
Foi visto pela última vez por sua ex-esposa se
dirigindo para o Rio. Ela escutou o ronco do motor do barco chegando,
embora não tenha avistado o mesmo.
O Sr. Laurindo estava indo para uma reunião de
lideranças na cidade de Iporanga, onde se organizavam para a noite ir à
Câmara Municipal, requerer a instalação de uma CPI para investigar o
Prefeito, pela sua inércia em relação às Políticas Públicas do
Município.
O povo de Quilombo de Praia Grande pensava que
ele estava na cidade. A família de seu segundo casamento, que estava na
cidade, pensava (ACREDITAVA) que ele estava no Quilombo. Seu
desaparecimento só foi percebido na quarta feira, dia 23/02, quando seu
filho, LAZARO, que estava na cidade para a mesma reunião, foi para o
Quilombo levando a noticia de que o mesmo não chegara na cidade e fora
informado que não se encontrava no Quilombo.
A Comunidade passou a procurá-lo, encontrando
apenas marcas de suas pegadas e de onde depositara os volumes que
carregava, na areia do porto. No local, sobrou uma abóbora.
Na Delegacia de Iporanga foi registrado o B.O.
de desaparecimento. Não houve, porém nenhum esforço para encontrá-lo.
No dia 05 de maio, ainda não havia sido
instaurado o inquérito e nenhuma investigação havia sido processada,
apesar da família já ter ido várias vezes na Delegacia e procurado o
Ministério Público da Comarca.
No dia 05 de maio, o Ministério Público da
Comarca foi procurado novamente. Só então solicitou à Delegacia de
Iporanga, que fosse instaurado o Inquérito Policial.
Os moradores do Quilombo encontram-se amedrontados e abandonados pelas autoridades competentes. Para sair do Quilombo, inclusive os alunos para frequentarem a escola, são transportados de barco, que está em péssimas condições. Enfrentam diversas corredeiras ao longo do percurso. A estrada, por ora, só chega até a fazenda do atual ocupante da cadeira de Prefeito, que fica próxima ao Quilombo.




