Movimentos de Campinas resistem na Fazenda ROSEIRA
Comunidade de Campinas resiste e pede apoio contra a demolição da Fazenda Roseira, já tombada e declarada de uso público.
Quilombolas e Movimentos Sociais de Campinas e região estão tentando impedir a retirada de bens da Fazenda Roseira, na região noroeste
de Campinas
A
Fazenda já foi declarada equipamento de utilidade pública mas os
antigos proprietários tentam dilapidar e demolir o patrimônio.
A
Prefeitura de Campinas descumpre a palavra dada aos movimentos e fez
acordos irregulares com os antigos proprietários, desrespeitando o
Plano Diretor, de Uso de Solo e acordos com a comunidade.
O protocolo do processo de desapropriação e tombamento da fazendo, pedido pela comunidade é 08/10/48069.
Mulheres e homens que ali resistem pedem apoio e divulgação.
A fazenda se encontra na Avenida John Boyd Dunlop, perto da PUC, lado esquerdo, no sentido do centro - bairro.
Entidades
fazem vigília na Fazenda Roseira
Comunidades querem
impedir que casarão histórico seja saqueado
Maria
Teresa Costa
DA AGÊNCIA
ANHANGUERA
teresa@rac.com.br
Comunidades
da área cultural estão fazendo vigília na antiga
sede da Fazenda Roseira, na região Sudoeste de Campinas, para
evitar que o casarão seja saqueado. Ontem, representantes de
várias entidades impediram que o proprietário das
terras, que estão sendo loteadas, levasse portas e outras
madeiras da sede. A terra onde está o casarão é
área pública destinada a equipamento público
comunitário, entregue à Prefeitura como contra-partida
do loteamento. A Administração informou que planeja
instalar uma
biblioteca no local e outras atividades, mas as
entidades culturais estão pedindo o tombamento da casa como
patrimônio histórico e concessão de uso para
implantar atividades culturais e ambientais naquele espaço.
O
proprietário da área, André Cantúsio,
disse que apenas retirou portas internas da casa para impedir que
fosse ocupada e transformada como cortiço, o que, segundo ele,
já está ocorrendo. "Eu só quero garantir a
integridade do lugar. Tirei apenas portas internas e o restante é
material da fazenda, que não pertence à casa",
afirmou.Segundo ele, a Prefeitura ainda não tomou posse da
área. O casarão está sendo usado como canteiro
de obras do empreendimento e servindo de moradia dos operários
da obra.
Ontem pela manhã, houve momentos tensos na
discussão das associações e o
representante
da família proprietária, que foi acalmada pelo
secretário de Programas e Projetos Culturais do Ministério
da Cultura, Célio Turino. O secretário estava na região
fazendo levantamento das casas de cultura, para projetos do
ministério, e foi chamado pelas entidades para ajudar a
impedir a saída do caminhão com as madeiras. O caminhão
foi descarregado e as entidades irão se revezar na vigilância.
A Guarda Municipal (GM) também foi chamada.
As
entidades querem impedir que aconteça na Fazenda Roseira o
mesmo que ocorreu na Fazenda Jambeiro, cujo casarão também
foi doado à Prefeitura como área de praça do
loteamento. O abandono transformou o casarão histórico
em ruínas. A presidente da Associação Jongo Dito
Ribeiro, Alessandra Ribeiro, afirmou que a mesma coisa está se
repetindo agora. "Uma parte foi destelhada e a chuva da semana
passada danificou tudo, e parte da casa foi derrubada", disse. A
entidade que preside preserva o jongo, um ritmo cujas matrizes vieram
da região africana do Congo-Angola para o Brasil-Colônia
com os negros de origem banto. É uma dança de roda para
o divertimento, e sua apresentação é mais
dinâmica pelos pontos cantados, mas uma atitude religiosa
permeia a festa.
A entidade, junto com outras associações,
planeja montar uma casa de cultura no local, para atividades
culturais e ambientais. O secretário do Ministério da
Cultura disse que, se conseguirem a concessão de uso do
espaço, as entidades poderão pleitear recursos federais
para as atividades que planejam.
O artista Antonio Carlos
Santos Silva, o TC da Casa de Cultura Tainã, afirmou que o
objetivo da ação na sede da Fazenda Roseira é a
defesa de um patrimônio da cidade. Segundo ele, o casarão
é do século 19 (mas o local tem a data de 1920 gravada
na fachada) e tem que ser preservado e utilizado pela comunidade, em
uma região em que são poucas as opções de
cultura. "Quando soubemos que iria ser loteado, ficamos atentos
e vamos manter vigília para impedir a depredação",
afirmou.
FRASE
Seremos guardiões desta
casa.
ALESSANDRA RIBEIRO
Presidente da Associação
Jongo Dito Ribeiro
Chances de tombamento do imóvel são
mínimas
Local foi muito descaracterizado, diz
coordenadora de Patrimônio Cultural
O Conselho de Defesa
do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas
(Condepacc) recebeu, na última quinta-feira, pedido de
tombamento da sede da Fazenda Roseira, protocolado por entidades
culturais. Mas as chances de vir a ser tombada são mínimas,
porque o imóvel foi muito descaracterizado, disse a
historiadora Daisy Ribeiro, da Coordenadoria Setorial do Patrimônio
Cultural (CSPC).
Ela lembrou que, em 2005, o casarão
daquela fazenda havia ficado de fora de uma lista de 33 fazendas que
tiveram processo de tombamento aberto. Na época, foi feita uma
avaliação, com a conclusão de que Campinas
possuía exemplares de conjuntos arquitetônicos mais
importantes do que aquele e, por isso, não foi incluída.
Mas,
como chegou um pedido de tombamento, será feita nova análise
para decidir se abre estudos ou não. "O fato de ter uma
arquitetura interessante não significa que será
transformada em patrimônio", disse. O Condepacc não
está interferindo no conflito entre associações
e proprietário do casarão justamente porque o imóvel
não é tombado. (MTC/AAN)




