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O poder da palavra. O nigeriano Wole Soyinka defende a educação e a cultura como caminho para aprimorar o ser humano. Nobel de Literatura, ele participará de fórum que será aberto amanhã em BH

O nigeriano Wole Soyinka defende a educação e a cultura como caminho para aprimorar o ser humano. Nobel de Literatura, ele participa do IV Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade em BH - 26 e 27 de Maio de 2011

 O poder da palavra. O nigeriano Wole Soyinka defende a educação e a cultura como caminho para aprimorar o ser humano. Nobel de Literatura, ele participará de fórum que será aberto amanhã em BH

Wole Soyinka

Considerado um dos intelectuais mais importantes de seu tempo, o poeta, dramaturgo, professor e ativista político africano Wole Soyinka ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1986. Ele virá a Belo Horizonte para participar do 4º Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, que será aberto amanhã, na Serraria Souza Pinto.

O tema “O futuro da educação e a educação do futuro” e a discussão do papel educativo e social da comunicação para a compreensão do conceito da sustentabilidade, com base nos princípios da Carta da Terra, mobilizará intelectuais brasileiros e de outros países. Também estarão na capital mineira os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus (2006) e Mohan Munasinghe (2007), além do jornalista indiano Arun Gandhi, neto do líder espiritual Mahatma Gandhi.

Artistas brasileiros de destaque, como Milton Nascimento, Mano Brown, Elza Soares e Wagner Tiso, vão se apresentar na Serraria.

Feliz em visitar o Brasil, o nigeriano Wole Soyinka afirma que a literatura é agente de cidadania. De origem simples, filho de um professor, ele se formou em literatura inglesa na University of Leeds, na Inglaterra. De volta à Nigéria, foi preso em 1967, durante a guerra civil. Leitor contumaz, amante de poesia e de ópera, ele chama a atenção para a força da palavra.

 

Entrevista/Wole Soyinka 

 

Como a literatura entrou em sua vida? Que significado ela tem para o senhor?

Vivi constantemente cercado por tias, tios e companheiros intelectuais do meu pai. Todos eles contavam histórias envolvendo batalhas, conflitos. Cresci num ambiente em que as palavras foram parte integral da cultura. A literatura tem sido companheira importante em todos os períodos da minha vida.

Que escritores foram fundamentais para a sua formação intelectual? Qual é a função da literatura?

Li muita literatura europeia, asiática e americana. Tony Morrison é um dos meus escritores preferidos. Sou um consumidor artístico, não de uma literatura específica. Na infância, lembro-me de ter lido as versões expurgadas de Charles Dickens. Meus horizontes sobre a humanidade foram e continuam sendo ampliados pela leitura de poesia, pela pintura, pela música e pelo prazer de assistir a uma ópera. Isso me enriquece como ser humano. Ao expandir os horizontes e também a curiosidade de meus leitores, acredito que estou contribuindo para a elaboração intelectual, para as experiências imediatas deles.

Como foi a sua experiência como estudante?

Minha história é engraçada. Tinha uma irmã um ano e três meses mais velha, que vivia se gabando de ir para a escola enquanto eu ficava em casa. Ela vestia o uniforme e eu me irritava com aquilo. Certo dia, decidi segui-la e quis ficar. O professor dizia: ‘Mas Wole, você ainda não tem idade para estudar’. Respondi: ‘Estou pronto’. Diante de muita insistência, não tiveram outro jeito a não ser me aceitar. Sempre fui uma criança curiosa, aprendi a ler muito cedo. Na verdade, meu pai era professor e acreditava apaixonadamente na educação. Estou feliz em vir ao Brasil debater um tema tão importante como o futuro da educação e a educação do futuro.

Como escritor e Prêmio Nobel, que contribuição o senhor acha que pode dar à Nigéria? 

As pessoas é que devem decidir o que querem extrair do que tenho feito ou deixado de fazer. Esse é o conselho que dou para meus filhos, para jovens escritores ou para aqueles que querem ser militantes e perguntam como podemos contribuir: sigam seus instintos. Não tenham obrigação de seguir os caminhos dos outros, porque esse poderá não ser o melhor caminho. Agindo assim, vocês só vão prejudicar a si mesmos, à sua causa e à dos outros. Apenas sigam seus instintos. Jamais finjam ser o que não são.  

 

Programação 

 

25.05

• 9h30 às 13h – Mesa 1: Democracia, não violência e paz. Palestrantes: Arun Gandh, Mário Sérgio Cortella, Fredrik Litto e Vincent Defourny

l 14h30 às 18h20 – Mesa 2: Justiça social e economia. Palestrantes: Professor Mohammad Yunes, Tião Rocha, Luciano Coutinho, Fernando Pimentel.

26.05

•9h30 às 13h – Mesa 3: Integridade ecológica. Palestrantes: Professor Mohan Munasinghe, Marcelo Gleiser e Rainer Nolvak.

• 14h30 às 18h – Mesa 4: Respeitar o cuidar da comunidade da vida. Palestrantes: Wole Soyinka, Mano Brown, Bernardo Toro, Leonardo Brant e Paulo Lima.

 

• 19h às 23h – Show em homenagem à Carta da Terra. Com Milton Nascimento, Elza Soares, Mano Brown, Beto Guedes e Wagner Tiso.

4º FÓRUM INTERNACIONAL DE COMUNICAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

• Amanhã e sexta-feira, a partir das 9h. Serraria Souza Pinto, Avenida Assis Chateaubriand, 809, Centro. Entrada franca. Inscrições: http://comunicacaoesustentabilidade.com/ivforum/inscricao. Informações: (31) 3261-1501. 

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