O tear de uma rede
Como a rede pode ser um espaço de luta e articulação. Como a comunicação pode ser um canal de fortalecimento das culturas populares
Rede é uma coisa cheia de pontos, cores, laços, vínculos, nós. Um emaranhado só de colaboração. E dentro desse universo todo, as informações se organizam e se cruzam de forma colaborativa.
Alguns desses nós estavam, hoje, representados por diversos rostos, idéias, anseios, enfim, por diversos mocambolas. Roque, Deodato, Orlando, Moisés, Nestor, Nilce, Jaqueline, Jane, Regina que vieram de lugares diferentes de São Paulo, como do Quilombo Cafundó (Salto de Pirapora), Riberão Grande, Pilões e Pilar do Sul (no Vale do Ribeira), e muitos outros participaram do terceiro dia do Ciclo de Pajelança Quilombólica Digital, que iniciou no dia 30/09 e vai até o dia 04/10.
A Pajelança é um encontro de compartilhamento de informações, experiências e conhecimento. A idéia é instigar a utilização das tecnologias livres para possiblitar e ampliar o acesso à comunicação.
A comunicação aparece como eixo central de outros muitos debates. O direito à terra, o direito à saúde, o direito à educação, o direito à economia, o direito a participação política e histórica, o direito a ter direito - todos se entrelaçam na rede.
Os problemas e os anseios são de todas as comunidades. A rede possibilita o compartilhamento e autoconhecimento do movimento quilombola. Possibilita ainda o fortalecimento da identidade quilombola.
Porém, existe o contraponto. A ferramenta já existe, falta o conteúdo. "A ferramenta ta aí, tem que saber usar. Temos sido vítimas por não nos apropriarmos das ferramentas de comunicação. A gente acaba ficando de fora da comunicação e isso prejudica a todas as comunidades. Prejudica toda a rede. Se a gente se comunicasse mais, a gente poderia se ajudar mais. Temos que usar as tecnologias para construir com elas".
A rede é pensar de forma compartilhada. Ela é construída, tecida
ponto por ponto. Saber que cada um tem um papel. Cada um é um nó na sua
estrutura. A ideia de comunidade está também na comunicação. "Se um
único nó se desatar, a rede toda fica frouxa", disse TC da Casa de Cultura Tainã.
A luta pela terra, pela saúde, pela cultura ou seja lá pelo que for só ganha peso se a rede estiver fortalecida. Pensar a comunicação como ferramenta de luta para garantir os direitos. A rede como canal de fortalecimento político e cultural das comunidades quilombolas.
Daí surge também a importância da documentação e preservação da memória. Os saberes ancestrais, a religiosidade, a cultura, o tambor. As tecnologias para a reconstrução histórica dos quilombolas. Dessa vez, com as próprias vozes. (Carolina Gutierrez e Lidiane Guedes)




