Pistoleiros e ameaças no quilombo Brejo dos Crioulos
Depois do absurdo despejo na última semana, continuam ameaças contra a vida dos quilombolas. Necessário providências urgentes das autoridades competentes de MG e governo federal. Não aceitamos mais lideranças assassinadas em Minas Gerais na luta pela terra e o território. Rosely/ Recid-MG
Estive
ontem em Brejo dos Crioulos reunido com os quilombolas e ouvi muitos
relatos da ação de Jagunços armados conforme nossa denúncia na nota
deste domingo. Retornei ontém para Montes Claros e acabo de receber
telefonema do presidente da Associação de Brejo dos Crioulos João Pêra,
que foi ontem de moto por volta das 17 horas parado por Fabinho, Roberto
e Lucídio pistoleiros da Fazenda de Raul Ardito Lerário e por Barbudo
pistoleiro da Fazenda de Miguel Véo Filho, todos a cavalo, fortemente
armados com carabinas e espingardas 12 e foi ameaçado por eles. Mais
tarde ele foi novamente parado pelo pistoleiro Lixandão mais outros sete
desconhecido que estavam de carro e também fortemente armados e também
foi por eles ameaçados.
Já sabemos que a PMMG não tomará providências e se tomar não encontrará
ninguém armado lá, pois todos já estarão sabendo. Neste domingo já
denunciamos essas pessoas passando lá armados com a polícia. Brejo dos
Crioulos já teve confrontos entre pistoleiros ferindo gravemente
quilombolas. Brejo dos Crioulos já teve ação da Polícia federal
surpreendendo pistoleiros com armamentos lá.Só a PMMG não consegue ver
isso. Chamamos as autoridades competentes, pois enxergamos uma ação de
pistoleiros de outras fazenda se organizando e formando milícias armadas
para intimidar e ameaçar as lideranças quilombolas. Lideranças
quilombolas que denunciaram ação de desmate de aroeiras na região à
polícia do meio ambiente, em vez de ver apuração foi ameaçado pela
polícia. O governo estadual e federtal têm denúncias mais do que
suficiente sobre Brejo, atual e antigas, mas será que precisará haver
chacinas para de fato tomar algumas medidas. MDA e Casa Civil a lerdeza
no encaminhamento do processo contribui e muito para esse acirramento.
Mas até então parece que a vida dessas pessoas não tem muita importância
e por isso essa luta de sofrimento já dura de 12 anos.
Paulo R. Faccion




