Roda de Conversa O que é a Rede Mocambos - Realidades e Perspectivas
A Roda desta tarde teve como tema o que é a Rede Mocambos. Depois
que TC apresentou em algumas palavras a história da Rede até agora,
Mexicano rodou o microfone para os mocambolas do Encontro. Queremos
ouvir o que é a Rede para cada um de vocês.
Num clima de
afinidades e de aprendizado, apresentamos os principais temas a serem
tratados pela Rede, suas características, suas dificuldades:
vivenciamos mais uma etapa na construção da rede colaborativa de
Mocambos. 
“Não podemos mais reproduzir erros da história. Faremos do nosso
jeito”, disse TC, da Casa de Cultur Tainã. “Não da pra fugir quando se
tem
consciência dos seus direitos”, disse Daniel, da ARQMO, de Oriximiná.
Foi
levantada a importância dos multiplicadores para a construção da REDE:
“Voltaremos enriquecidas e tentaremos implementar o que foi discutido
aqui em nossos espaços”, disse Janaína, de Porto Velho - idéia
reforçada por Ananias, parceiro da Rede lá da Bahia: “Trabalhamos com
coletividade, se não houver a coletividade, não funciona nada”.
Mãe
Lúcia, de Recife disse que “através da Rede nos comunicamos com o
mundo.” E sobre o acesso à tecnologia, às ferramentas do computador,
arrematou: "Eu lhe quebro, mas lhe aprendo todinho".
A questão
do acesso à energia elétrica para construção da rede de comunicação foi
apresentada como uma das proposta de articulação, que envolverá também
projetos e leis a serem estruturados pela Rede, bem do nosso jeito.
Como contou Ananias, da Bahia, no relato de seu mau-humor em relaçõ aos
editais, essa história de dizer e escrever o que eles querem ouvir.
O
valor do Encontro, desse estarmos juntos, sentirmos o cheiro um dos
outros, deixa um clima de construção. Como disse Ananias, da Bahia:
“Esse aqui é um Encontro diferente, é um encontro participativo. Todos
temos a possibilidade de falar, não tem uma pessoa que fala do palco
para outros escutarem”. Uma Rede em que se aprende mais do que se
ensina.
Assim, todos foram relatando experiências locais,
apresentando expectativas e anseios: “A Rede Mocambos vem de encontro
às aspirações coletivas de todos nós, mesmo sem percebermos que
precisávamos de algo que nos integrasse”, disse Giba, de Porto Alegre,
“O que nós queremos? Queremos o que já temos, só que está em mãos
erradas”, reforçou.
A comunidade indígena também se manifestou:
“Se conseguimos concretizar essa rede que vem ajudar todos os povos
tradicionais, vamos conseguir demarcações.”, disse Jaborandi, um
Tupinambá.
“Precisamos discutir novas políticas, políticas
pretas. Juntar o novo e o velho, resgatar a ancestralidade. Discutir
ancestralidade com tecnologia.”, disse Guiné, do Pará.
Nesse
clima, nos escutando e relatando nossas experiências, esse será com
certeza um passo histórico para a contrução da Rede Mocambos.




