Cultura e Saúde - Tainã / Cecco Toninha
Projeto enviado para o Edital Cultura e Saúde pela Casa de Cultura Tainã e Centro de Convivência e Cooperativa Toninha - nov/2008
Prêmio Cultura e Saúde, publicado no Diário Oficial da União em 07 de agosto de 2008, seção 3, páginas 17 e 18, que visa conceder prêmios a entidades sem fins lucrativos, legalmente constituídas, e instituições governamentais estaduais, distritais e municipais que atuam com propostas sócio- culturais, com foco em ações de promoção da saúde.
Casa de Cultura Tainã
CECCO Toninha
Desdobramentos de um Ponto de Cultura
Campinas
2008
Sumário
2 – Contextualização do Projeto
Pág
3 2.1 Descreva o histórico de atuação da entidade, onde é realizada a atividade e a sua abrangência
6 2.2 Quais são as parcerias desenvolvidas que fomentam ações integradas de cultura e saúde
7 2.3 Descreva como se da a relação dos bens e serviços culturais com a rede pública de atendimento à saúde em sua área de abrangência
8 2.4 Cite as atividades desenvolvidas pela entidade relacionadas ao objeto do edital, caracterizando e quantificando seus participantes
13 2.5 Comente acerca dos aspectos inovadores da iniciativa em cultura e saúde
15 2.6 Destaque outros pontos relevantes da iniciativa
17 2.7 É possível identificar o impacto do desenvolvimento da iniciativa sobre a condição de saúde da comunidade envolvida? Descreva
19 2.8 Cite as ações que contribuem para a sustentabilidade, autonomia e protagonismo da iniciativa
20 Referências Bibliográficas
ANEXOS
Portfólio
2.1 Descreva o histórico de atuação da entidade, onde é realizada a atividade e a sua abrangência:
A Casa de Cultura Tainã é uma entidade cultural e social sem fins lucrativos fundada por moradores da Vila Castelo Branco e região em 1989 com o nome de Associação de Moradores da Vila Castelo Branco e, mais tarde, através de um concurso, foi escolhido o nome de Casa de Cultura Tainã que hoje fica na Vila Padre Manoel da Nóbrega região noroeste do município de Campinas, SP.
Sua missão é possibilitar o acesso à informação, fortalecendo a prática da cidadania e a formação da identidade cultural, visando contribuir para a formação de indivíduos conscientes e atuantes na comunidade.
A Casa de Cultura Tainã apresenta-se, hoje, como uma das poucas opções de ação comunitária efetiva, sendo reconhecida como a única referência cultural numa região onde se registram todos os tipos de carências, resultantes da falta de políticas sociais que assegurem a sobrevivência e a qualidade de vida de crianças e jovens. Ela atende hoje em média 1.350 pessoas através de atividades, oficinas e shows realizados fora da entidade.
A região de atuação da Casa de Cultura Tainã compreende uma área de concentração populacional de aproximadamente 50.000 habitantes distribuídos em quatro vilas populares da região noroeste. Caracterizada como "o outro lado da cidade", a área possui cerca de 500.000 pessoas em sua linha de extensão, abrigando grande parte da população negra do município.
A Casa de Cultura Tainã tem diversas áreas de atuação, cuja intensidade varia ao longo de seus 20 anos de existência:
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Centro de Convivência e Cooperativa (CECCO) Toninha
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Nação Tainã
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Fábrica de Música
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Lidas e Letras
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Projeto Tambor Menino
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Projeto Orquestra Tambores de Aço
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Tambor Dá Saúde
-
Telecentro Dona Nina
-
Rede Mocambos
Optamos pelo detalhamento do CECCO Toninha por caracterizar-se pelas parcerias consistentes com a área da saúde viabilizando ações integradas dentro do escopo deste prêmio, ou seja, intersetorialidade entre saúde e cultura.
Os Ceccos são serviços intersetoriais implantados em Parques, Centros Esportivos, Centros Comunitários, Praças Públicas Municipais, concebidos como espaços alternativos de convivência abertos a todas as pessoas, comprometidos principalmente a aproximar a população “normal” ao diferentes – psicóticos crônicos, deficientes mentais, idosos, meninos e meninas de ruas etc – incentivando para que esses tivessem a oportunidade de se relacionar com o restante da população (Galletti, 2004).
Os Ceccos têm como objetivo promover o encontro entre as pessoas, criando condições favoráveis para inserção e integração dos indivíduos por meio de atividades coletivas, como atividades manuais, culturais, esportivas e educacionais.
Galletti (2004) esclarece que essas atividades foram denominadas Oficinas de Convivência. No cotidiano dos Ceccos temos as Oficinas de Convivência e as Oficinas de Trabalho, também conhecidas como projeto de cooperativa e mais recentemente como Oficinas de Geração de Renda.
Buscando uma contextualização mais especifica do Cecco Toninha, serão enfocados aspectos históricos e operacionais deste.
Foi estruturado em 1999 com participação dos profissionais dos setores da saúde (Centro de Saúde Integração e CAPS Integração), da cultura (Casa de Cultura Tainã), da educação e da promoção social (Escolas Estaduais e Municipais e Projeto Gente Nova – Progen), lideranças comunitárias e população em geral. A participação das Universidades (Unicamp e PUC-Campinas, principalmente) é de grande relevância em todas as fases, ações e conquistas do Cecco Toninha.
Em sua trajetória, destacamos a organização de eventos temáticos, feiras, festas, passeios, saraus, exposições, gincanas, oficinas de geração de renda e incentivo a ocupação de espaços comunitários sub-utilizados ou mesmo com utilização indevida para a organização da Cooperativa de material reciclável Santo Expedito e apoio e articulação de atividades ligadas Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, ainda, a participação efetiva na estruturação da Casa das Oficinas, atualmente importante serviço de geração de renda da Secretaria Municipal de Saúde, seguindo os princípios da economia solidária. Uma ação de especial significação na integração de cultura e saúde foi a experiência exitosa do Tambor Dá Saúde.
Nas discussões de planejamento alguns princípios norteadores estão em pauta, entre eles: conhecer mais profundamente a demanda da comunidade através da tabulação do questionário de cadastramento de usuários e de levantamento de interesses entre outros; estruturar projetos de educação ambiental; e outras oficinas de geração de renda, que não se sobreponham àquelas desenvolvidas na Casa das Oficinas.
Ações denominadas eventos temáticos (sarau, festas, passeios) são caracterizadas como ações de maior abrangência e de caráter esporádico também planejadas coletivamente.
As ações propostas buscam aproximar grupos sociais específicos (usuários dos serviços de saúde mental, por exemplo) do conjunto da população, com uma história pregressa, produto da organização de profissionais de vários equipamentos da região e lideranças comunitárias.
2.2 Quais são as parcerias desenvolvidas que fomentam ações integradas de cultura e saúde:
Nesse momento, a Casa de Cultura Tainã conta com parcerias intersetoriais como a área da saúde, educação, cultura e também com organizações não governamentais e governamentais e grupos organizados da comunidade local.
As parceiras ocorrem de forma diferenciada, sendo que algumas acontecem de modo mais constante, com participação efetiva nas reuniões e coordenação de oficinas, e outras mais eventuais, em visitas, eventos etc.
Dentre estas parcerias citamos:
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Centro de Atenção Psicossocial Integração (CAPS)
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Centros de Saúde - Integração, Pedro de Aquino, Florence e Valença.
-
Serviço de Saúde Dr Cândido Ferreira
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Serviço de Geração de Renda Casa das Oficinas
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Centro de Referência em Atenção à Saúde do Adolescente (CRAISA)
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Centros de Convivência de Campinas - Espaço das Vilas, Rosa dos Ventos, Tear das Artes, Bem Viver
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Distrito de Saúde Noroeste
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PUC-Campinas
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Unicamp
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Escolas Municipais e Estaduais da Região
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Projeto Gente Nova (Progen)
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Grupos Organizados da Comunidade (Grupo Reviver - Terceira idade)
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Instituto Agronômico de Campinas
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Secretaria Municipal de Esportes
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Secretaria Municipal de Cultura
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Secretaria Municipal de Cidadania, Trabalho, Assistência e Inclusão Social
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Fundação Municipal de Educação Comunitária - FUMEC
-
Secretaria Municipal de Educação
2.3 Descreva como se da a relação dos bens e serviços culturais com a rede pública de atendimento à saúde em sua área de abrangência:
Campinas é uma cidade que já teve um conjunto expressivo de ações decorrentes de uma política cultural consistente, mas que hoje padecem de abandono ou redução drástica de seus orçamentos. A região noroeste da cidade, em que atuamos, é uma região de ocupação mais recente, onde os problemas sócio-econômicos são mais graves e as carências na área cultural mais profundas, implicando em um número bastante reduzido de bens e serviços culturais ligados ao poder público e uma baixa organização comunitária nesse campo, derivada, entre outros pontos, de uma concepção de desenvolvimento social que relega a cultura a segundo plano.
Ao longo das duas últimas décadas, a região contou com duas casas de cultura, dentre quase vinte articuladas a partir de uma política cultural, das quais a Casa de Cultura Tainã é das poucas remanescentes e a única que se desenvolveu com raízes na comunidade, mantida como foco de resistência permanente, tematizando as questões culturais, sociais, econômicas e políticas desde um mesmo ponto de vista, concebendo-as, todas, como dimensões de um mesmo processo de construção de modelo de sociedade.
Nos últimos anos, a política ministerial de pontos de cultura produziu uma inflexão nesse processo, ao injetar recursos no desenvolvimento de ações enraizadas nas culturas tradicionais de grupos com uma identidade sócio-cultural diferenciada, marcada pela resistência ao modelo hegemônico da indústria cultural. Nesse contexto, a região viu ressurgirem manifestações culturais cuja história vinha sendo apagada pelo poder de meios de comunicação de massas pasteurizadores de práticas e tradições. Simultaneamente, novos grupos culturais excluídos dos espaços oficiais de produção e divulgação cultural encontraram meios para acessar seu público.
Surgiram experiências de bibliotecas comunitárias, rádios comunitárias, entre outras, com impacto na ação cultural na região. Estes diversos novos atores institucionais no panorama cultural da região acessam (e têm sido acessados) especialmente o programa de saúde da família envolvendo-se direta ou indiretamente em campanhas de prevenção de determinadas doenças ou problemas de saúde pública. Não se trata de uma ação sistematicamente organizada, porém, são freqüentes as ações articuladas quando de campanhas de vacinação, nos eventos temáticos em que a questão da AIDS, da violência, do tabagismo ou do câncer, por exemplo, são pautados. A dengue foi também um problema de saúde pública em que a comunidade se mobilizou, às vezes, a partir das Unidades Básicas de Saúde, outras vezes, por iniciativa de lideranças comunitárias, religiosas e culturais da região. Os agentes comunitários de saúde são sempre interlocutores importantes nessa rede, por sua dupla representação – saúde e comunidade.
A Casa de Cultura Tainã, nesse contexto, protagonizou processos importantes, fortalecendo a interface entre os equipamentos culturais e a rede SUS, tendo, desde o início da década de 1990, participado das manifestações do movimento da luta antimanicomial, com presença importante nos eventos do 18 de maio, do Loucos pela vida, dos "Outros 500" e do Bloco Carnavalesco Unidos do Candinho. No âmbito dessa questão, é relevante o desenvolvimento de um enredo da Escola de Samba Rosa de Prata sobre Artur Bispo do Rosário, cujo desfile contou com a presença de usuários da saúde mental pautando, na avenida, a questão da reforma psiquiátrica.
Também nas ações que tornaram Campinas referência em política de saúde dirigida à questão do HIV/AIDS, estivemos presentes, junto com outros importantes parceiros da área cultural da cidade, tais como o grupo Urucungos, Quijêngues e Puítas e a Acadec – Ação Artística para o Desenvolvimento Comunitário, desenvolvemos o projeto Tambor Dá Saúde, um banco de preservativos inserido em um projeto de um grupo de dança e música popular – Maracatú – voltado prioritariamente para o público jovem de nosso território.
Outros atores da política cultural em Campinas tiveram momentos de maior ou menor presença em ações voltadas para a saúde, tais como, o grupo Política do Impossível, o Espaço Cultural CPFL, e mesmo o Conservatório Municipal Carlos Gomes ou a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Estes dois últimos, em particular, foram atores distantes de temas sociais, entre eles as questões de saúde, porém, em alguns momentos bastante específicos, se envolveram em questões de relevância nessa área, tais como a questão ambiental.
2.4 Cite as atividades desenvolvidas pela entidade relacionadas ao objeto do edital, caracterizando e quantificando seus participantes.
OBS: As categorias profissionais que coordenam as atividades são: Psicógolos, Terapeutas Ocupacionais, Educadores Físicos, Educadores Sociais, Músicos, Assistentes Sociais e Comunicólogos entre outros, inclusive profissionais de notório saber, sem formação superior.
2.5 Comente acerca dos aspectos inovadores da iniciativa em cultura e saúde:
A estruturação do projeto do Centro de Convivência Toninha deu-se durante o Curso de Formação de Agentes de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania realizado na Casa de Cultura Tainã em 1999, com apoio do Ministério da Justiça.
Partindo do princípio que saúde e cultura são direitos humanos essenciais ao pleno exercício da cidadania, o CECCO enfoca estas questões em todas as suas ações intervindo de modo a reforçar o papel protagônico dos moradores da comunidade na transformação da sociedade em que vivemos.
Os centros de convivência, de maneira geral, têm ligações fortes com a história da luta antimanicomial e a reforma psiquiátrica, correspondendo a um dos equipamentos potencializadores na reinserção social do cidadão libertado do manicômio. No cotidiano, torna-se possível construir o processo de inclusão social, constituindo verdadeiros espaços de pertencimento, reconhecendo nesta população - e naqueles que atualmente convivem com a experiência de sofrimento psíquico intenso e que, graças ao avanço da reforma, deixaram de experimentar o enclausuramento no manicômio - os direitos da cidadania e sua legítima presença e participação na vida comunitária.
A Casa de Cultura Tainã tem, desde suas origens, atuado nesse sentido, promovendo o debate e realizando atividades em que os ex-internos de instituições psiquiátricas totais participam perfeitamente integrados com os demais moradores da comunidade.
Da mesma forma que a população brasileira está envelhecendo, nossa comunidade tem uma presença significativa de homens e mulheres acima da meia idade para os quais nossas atividades se dirigem especialmente, visando a promoção da saúde e proporcionando um processo de envelhecimento sadio.
Atividades corporais tais como a ginástica harmônica e as práticas de dança e teatro, voltam-se ao mesmo tempo para as vivências de comunicação e expressão, em uma sociedade que mais e mais se isola e individualiza, ao mesmo tempo que promovem a movimentação do corpo, prevenindo as doenças crônicas que são características do envelhecimento.
A construção de uma rede social associada a práticas culturais cotidianas traz um enriquecimento das experiências pessoais e coletivas cujo impacto reflete diretamente na promoção de saúde, prevenção do adoecimento e potencializa a qualidade de vida como vivência de solidariedade e ação comunitária.
Nessas atividades, a presença de crianças, adolescentes e adultos reforçam as características de um espaço intergeracional em que a vitalidade dos jovens se integra à experiência dos mais velhos, revivendo práticas que se perderam ao longo do século XX.
Retomamos o valor da cultura e da experiência vivida ao mesmo tempo que estimulamos sua expressão pelos meios da mais moderna tecnologia.
Em um momento em que o planeta volta suas atenções para a questão ecológica, com a iminência de desequilíbrios graves, a Casa de Cultura Tainã - situada dentro de uma praça de esportes que conta com uma área verde de 33 mil metros quadrados, dos quais 8 mil estão ocupados pela Tainã - explora sua vocação ambiental enraizada na cultura tradicional, desde o manejo de fitoterápicos até a recuperação das tradições africanas, que remetem ancestralidade, como o plantio da árvore Baobá, que simboliza a representação da vida, já que os rituais de passagem são celebrados ao redor da mesma.
Descata-se ainda, a iniciativa da arborização no entorno da Casa de Cultura, e dos espaços públicos parceiros, tendo como objetivo principal a conscientização sobre as questões ambientais, reforçando o conceito de saúde planetária.
2.6 Destaque outros pontos relevantes da iniciativa:
A relevância da iniciativa verifica-se em vários aspectos dos quais ressaltaremos alguns relativos a geração de renda, intersetorialidade, uso de ferramentas livres e alinhamento com as diretrizes política nacional de saúde mental.
Na perspectiva da geração de renda, temos uma contribuição histórica em três ações marcantes:
A criação da Cooperativa de material reciclável Santo Expedito, contando com mais de vinte ccoperados moradores da região, que se encontravam desempregados ou sub-desempregados, modificando consideravelmente sua condição de vida pessoal e familiar. Simultâneamente por ser uma cooperativa de reciclagem, representa uma ação concreta ligada a questão de caráter ambiental.
A experiência da "Feira de Tudo um Pouco", cuja a caracterização está contida no portfólio através do depoimento e do artigo do livro, evidenciando o valor da mesma enquanto uma ação comunitária de caráter cultural e geração de renda.
A estruturação da Casa das Oficinas que hoje se constitue como um serviço potente da rede de atenção à saúde mental com possibilidade de participação de pessoas com demandas de reabilitação física e outras vulnerabilidades sociais.
Um outro aspecto importante de nossa articulação em torno de um Centro de Convivência e Cooperativa é o fortalecimento de uma ação intersetorial na comunidade, possibilitando que diversas matrizes de conhecimento científico dialoguem entre si e com os conhecimentos tradicionais e populares. A experiência vivida dá sentido prático e faz o contraponto necessário com a produção acadêmica. Ao mesmo tempo que a presença de pesquisadores e profissionais com formação universitária se qualificam a partir da cultura popular com que interagem, a população que não tem acesso regular ao ambiente universitário conquista, nesse diálogo, acesso a bens culturais e informações que, de outra maneira, estariam distantes de seu cotidiano.
O uso de ferramentas livres, especialmente aquelas derivadas da cultura digital, possibilita à comunidade ampliar seu horizonte por intermédio da troca de experiências com outras comunidades, produzindo e divulgando informações que considera relevantes como instrumental de transformação social e fortalecimento comunitário. O conceito de ferramenta livre deriva de uma concepção que incorporamos e defendemos em que o conhecimento como produto coletivo é um bem coletivo, não podendo ser privatizado e transformado em mercadoria. Essa idéia, em sua essência, traz a marca da recusa à idéia da patente e do direito autoral como mecanismos para auferir lucros em cima da produção coletiva de conhecimento e de cultura.
No documento "Saúde Mental no SUS: acesso ao tratamento e mudanças no modelo de atenção - relatório de gestão 2003-2006" (Ministério da Saúde, 2007), que reconhece os Centros de Convivência como "dispositivo altamente forte e efetivo na inclusão social de pessoas com transtornos mentais em tratamento", há a recomendação de que ainda a partir de 2006 seja articulado junto ao Ministério da Cultura uma estratégia de inclusão destes serviços no programa de Pontos de Cultura deste ministério.
2.7 É possível identificar o impacto do desenvolvimento da iniciativa sobre a condição de saúde da comunidade envolvida? Descreva:
Os estudos publicados relativos ao tema até o momento não enfocam dados quantitativos/ estatísticos, mas, priorizam a reflexão acerca da construção e do impacto da implantação de políticas públicas em saúde mental. Existe ainda pouca produção científica que aprofunda a questão dos efeitos terapêuticos desencadeados nos usuários da saúde mental ou mesmo de usuários do sistema de saúde em geral enquanto participantes das atividades desenvolvidas nos Ceccos.
A reflexão acima explicita uma realidade de caráter geral. Em termos de condição de saúde da comunidade envolvida, não há sistematização de instrumentos que identifiquem o impacto das ações. Temos, contudo, o desejo de ver investigadas questões como:
-
em que medida os participantes das oficinas ou eventos promovidos pelo CECCO Toninha referem melhora no seu estado de saúde física e mental a partir dessas ações?
-
qual a percepção das equipes de saúde da família quanto à diminuição da demanda de usuários freqüentes do CS a partir de sua inclusão nas atividades do CECCO?
-
que efeitos a equipe de trabalhadores do CAPS percebe sobre seus pacientes inseridos em atividades do CECCO, quanto à sintomatologia, episódios de crise aguda (freqüência e intensidade), uso de medicação?
-
como as famílias de usuários do CECCO percebem mudanças significativas na forma de convívio destes usuários a partir de sua inclusão no CECCO?
-
avaliação de índices de violência, condição de vida e desenvolvimento humano em séries históricas e comparativas da área de abrangência e influência do CECCO em relação a outras comunidades da cidade.
Seriam igualmente necessários e instigantes outros estudos que discutissem o nível de satisfação das equipes engajadas nessa modalidade de trabalho.
O grupo de articulação/estudo/discussão “convivência e renda” de Campinas, que agrega profissionais dos diversos CECCOs e serviços que desenvolvem atividades de geração de renda voltadas prioritariamente para usuários da saúde mental, vem se empenhando na construção de instrumentos metodológicos que possam expressar qualitativa e quantitativamente os benefícios para os usuários.
Um outro elemento das nossas práticas que demanda uma avaliação de impacto cuja metodologia ainda não está devidamente estruturada é o conjunto de ações voltadas para a questão ambiental1. Se pensarmos em isolar variáveis ou indicadores capazes de discriminar o efeito desse conjunto específico de ações, está dado que seu impacto sobre a qualidade das águas ou do ar tende a só ser perceptível em séries de longa duração, no conforto térmico descrito – por exemplo – pelo perfil térmico anual, que tornam inviável esse tipo de estudo, sem a presença de uma instituição de pesquisa que se dedique a esse levantamento ao longo do tempo. De outra maneira, contudo, em poucos anos – em alguns casos, talvez, até menos –, poderemos perceber alterações na biodiversidade (presença de aves ou insetos diferentes do conjunto habitualmente identificado na praça, redução das "pragas" que indicam desequilíbrio ambiental etc), assim como na freqüência da comunidade aos espaços em que façamos a intervenção paisagístico-ambiental que podem ser bons indicadores desta ação no sentido de produção de um ambiente mais saudável.
Um aspecto de nosso projeto ambiental que tem desdobramento direto na questão da saúde individual é o trabalho com a produção de fitoterápicos. Questão mais facilmente avaliável, considerando a possibilidade de acompanhamento de alterações de terapêutica, nos Centros de Saúde envolvidos nesse processo.
Temos a expectativa que, como desdobramento de nossas articulações com as universidades, algumas dessas questões tornem-se objetos de trabalhos acadêmicos, contribuindo para a desejável avaliação de impacto de nosso serviço.
Independentemente dessa expectativa de ação da universidade, a equipe do CECCO pretende investir esforços nesse sentido.
2.8 Cite as ações que contribuem para a sustentabilidade, autonomia e protagonismo da iniciativa:
A
Casa de Cultura Tainã é uma organização
que existe há dezenove anos, tendo, ao longo deste período
constituído uma rede de parceiros e apoiadores que
possibilitam sua sustentabilidade de rotina. Através da
formação de seu próprio quadro de pessoal,
contamos hoje com uma equipe de captação de recursos
capacitada para buscar no governo e em organizações da
sociedade civil os recursos necessários para projetos
especiais elaborados e desenvolvidos por nossa equipe, incluindo
eventuais parceiros na elaboração ou
execução.
Simultaneamente, alguns projetos, como o
da Orquestra Tambores de Aço, pretendem tornar-se
auto-sustentáveis, por intermédio da venda de
espetáculos, cuja renda possibilite sua manutenção
e ampliação das ações.
Nossa
equipe ainda volta-se permanentemente para a capacitação
de agentes sociais para a elaboração e desenvolvimento
de projetos, coerentes com nossa concepção de
enfrentamento da exploração e opressão, lutando
por uma sociedade inclusiva e não discriminatória.
Nossa atuação é identificada com o resgate das
raízes da cultura popular de comunidades tradicionais, com
remanescentes de quilombos e se desenvolve visando o fortalecimento
da autonomia e do protagonismo dessas comunidades pelo reconhecimento
de suas peculiaridades culturais e apoio à sua apropriação
das ferramentas da cultura digital como instrumental para
(re)produção consciente desse conhecimento em direção
a uma sociedade que legitime o direito universal, e não
privatizado,
ao conhecimento.
Referências Bibliográficas
1. AMATUZZI, M.M. [et al.]. (1996). Psicologia na Comunidade: uma experiência. Campinas, SP: Editora Alínea.
2. ANTUNES, D.C. Memória das transformações de grupos comunitários como forma de favorecimento do envelhecimento bem sucedido. Dissertação de Mestrado – UNICAMP, Campinas, SP, 2.006.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretária de atenção à saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde Mental e economia solidária: inclusão social pelo trabalho. Ministério da saúde, Secretária de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e estratégicas: Brasília: editora do Ministério da Saúde, 2005.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção à Saúde/DAPE. Saúde Mental no SUS: acesso ao tratamento e mudança do modelo de atenção. Relatório de Gestão 2003-2006. Ministério da saúde: Brasília, janeiro de 2007, 85p.
5. BORGES, M.C.M. Gestão participativa em organizações de idosos. Dissertação de Mestrado – UNICAMP, Campinas , SP, 2.003.
6. CACCIA BAVA, S; PAULICS, V e SPINK, P (orgs). Novos contornos da gestão local: Conceitos em Construção. SP, Pólis SGV – EAESP, 2.002.
7. CAMPOS, H. de F. (org). Psicologia social comunitária: da solidariedade à autonomia. Petrópolis, RJ: Vozez, 1996.
8. CASTELLS, M. A sociedade em rede. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 2.000.
9. GALLETTI, M.C. Oficina em Saúde Mental: Instrumento terapêutico ou intercessor clinico? Goiânia: Ed. da UCG, 2.004.
10. LOPES, I.C. Centros de convivência e cooperativas: Reinventando com arte agenciamento de vida. In: FERNANDES, M.I.A e outros (orgs). Fim de Século: Ainda manicômios. São Paulo: Lapso/Instituto de Psicologia da USP, 1.999.
11. MAXIMINO, V.S. Grupos de atividades com pacientes psicóticos. São José dos campos: Univap, 2001. 176p.
12. MERHY, E.E.; AMARAL, H. (orgs). A reforma psiquiátrica no cotidiano II. São Paulo: Aderaldo & Rothschild; Campinas, SP: Serviço de Saúde D. Cândido Ferreira, 2007.
13. MINAYO, V.S.A. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 7º. ed. São Paulo: Ed. Hucitec, 2000.
14. MULATI, D. Os Centros de Convivência e cooperativas: desejos e ações compartilhadas In: Magalhães, L.V.; Pádua, E.M. (orgs). Terapia Ocupacional: teoria e prática. Campinas: Papirus; 2003, pp. 113-128.
15. PARK, M.B.P, FERNANDES, R.S. e CARNICEL, A. (org). Palavras Chave em Educação Não-formal. Campinas: Setembro, CMU-Unicamp; 2007.
16. SARACENO, B. Libertando identidades. Da reabilitação psicossocial à cidadania possível. Belo Horizonte: Te Corá, 1.999.
17. SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE CAMPINAS. Caderno da 1ª Conferência Municipal de Saúde Mental. Campinas, 10 de out. de 2001.
-
VON SINSOM, O.R.M. (2005b). História Oral e educação não formal na reconstrução das memórias familiares dos jovens migrantes da periferia das grandes cidades. Campinas/SP: UNICAMP/CNPq/FAPESP.
Portfólio
Conteúdo:
1. Fotografia com participantes do curso de direitos humanos – 1999
2. Fotografia da Feira de Tudo um Pouco – 2000
3. Fotografia da Semana da Criança e do Adolescente em escola estadual - 2001
4. Fotografia de Plantio em Evento de 2000
5. Fotografia de Sarau de Revitalização de Espaço Comunitário – 2003
6. Depoimento de participantes da Feira de Tudo um Pouco convertido em poesia por profissional ligado ao evento e ao Centro de Saúde - 2000
7. Capítulo “ Os Centros de Convivência e Cooperativas: Desejos e Ações Compartilhadas” do Livro “Terapia Ocupacional – teoria e prática” - 2003
8. Impresso do Programa de Formação de Agentes de Defesa dos Direitos Humanos e da Cidadania – 1999
8. Cartaz de divulgação da Feira de Projetos Comunitários – 2003
9. Impressão de 10 convites para II Festa Junina do CECCO Toninha – 2001
8. Matéria de Jornal de fevereiro de 1992
9. Matéria de Jornal de dezembro de 1996
10. CD - Orquestra Tambores de Aço - 2007
11. DVD - Cecco Toninha (Retrospectiva e Momento Atual) - 2008
12. Vídeo Recuperação Ambiental – Pq São Bernardo - 2004
13. Grade de Programação Semanal de Atividades do CECCO Toninha (tamanho reduzido para envio no portfólio).
14. Exemplar da Revista A Rede Número 39 – Vide página 24 – Rede Mocambos
15. Vídeo Recuperação Ambiental – Pq São Bernardo – 2004
16. Grade de Programação Semanal de Atividades do CECCO Toninha (tamanho reduzido para envio no portfólio).
17. Tambor da Saúde (folder programa DST/AIDS Casa de Cultura Tainã - COAS/ACADEC)
18. Exemplar da Revista A Rede Número 39 – Vide página 24 – Rede Mocambos
Participantes do Curso de Formação de Agentes de Defesa de Direitos Humanos - 1999
Apresentação do Grupo Tambor Menino , de Americana, durante a Feira de Tudo um Pouco.
Edição da Rua Inhambú/ Praça dos Trabalhadores - 2000
Atividade Cultural durante a Semana da Criança e Adolescente em Escola Estadual - 2001
Plantio de Árvores no Espaço da Casa de Cultura Tainã - 2000
Sarau de Revitalização do Espaço Comunitário da Vila Castelo Branco - 2003
O Projeto é constituído de um conjunto de aç õ es que articulam a prevenç ão á DST/Aids às atividades artísticas da Casa de Cultura Tainã. O Banco de Preservativos Comunitário presta serviç o de aconselhamento, distribuiç ão de cotas mensais de preservativos, encaminhamentos para atendimento nos Centros de Saúd e, COAS/CTA e outros, e uma estante de obras e vídeos voltados a saúd e e á DST/Aids disponíveis aos usuários cadastrados. Campanhas de sensibilizaç ão e distribuiçã o de camisinhas nas comunidades abrangendo feiras livres, escolas, eventos culturais e manifestaç õ es populares. O Banco Itinerante leva camisinhas e informaç õ es às comunidades, cadastrando usuários no banco comunitário de preservativos e convidando os adolescentes a participar dos trabalhos da Tainã.
Folder com o primeiro registro do Cecco Toninha - Curso de Direitos Humanos. Primeiro Projeto da Tainã com recurso público. Apoio Ministério da Justiça/ Pnud e coordenação Themis - 1999
1Gostaríamos, ainda, de ressaltar a importância de, a exemplo das parcerias já desenvolvidas ou em desenvolvimento entre os Ministérios da Saúde (saúde mental) e do Trabalho (economia solidária), na questão da geração de renda, e entre Saúde (Saúde Mental) e Cultura (Pontos de Cultura), em torno da potencialização de centros de convivência, seria importante que esse investimento repercutisse na construção de uma política interministerial entre saúde, cultura e meio ambiente que refletisse o valor das práticas culturais e das ações de saúde coletiva na promoção de comunidades ambientalmente saudáveis.




