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- Info
Sistematizações Coletivas
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Texto produzido coletivamente pelo Núcleo de Formação Vale do Ribeira (fev/2009)
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Dia 05 de fevereiro de 2009 nos encontramos com representantes de comunidades quilombolas e com parceiros para discutir uma nova etapa da Rede Mocambos no Vale do Ribeira e ampliar os elos da rede através da implantação de dois Núcleos de Formação, um em Eldorado e outro em Iporanga. Este é o relato deste primeiro processo.
A escolha destas duas cidades está relacionada à sua posição estratégica, tanto geográfica quanto estrutural. Mas apesar destas duas cidades servirem de pontos de convergência, este núcleo de formação pode acontecer em encontros nas comunidades.
Neste primeiro momento, a intenção é identificar e compartilhar desejos e ferramentas que podem tornar possível a existência do Núcleo de Formação, já que isso só vai se dar a partir da mobilização direta dos e das quilombolas.
No dia 06 nos encontramos na biblioteca municipal de Iporanga para apresentar algumas referências de estratégias simbólicas e criativas somando força às lutas sociais.
Nesta manhã, lançamos mais concretamente a proposta do livro Voz Livre, como um material que será construído coletivamente para representar as questões levantadas por todos os que participarem do Núcleo de Formação.
A parte da tarde foi um momento dedicado a aprofundar vínculos entre o grupo. Depois de um almoço coletivo, fizemos uma dinâmica de círculo de histórias. Nos dividimos em 3 grupos para ouvir e contar histórias de vida e das comunidades. Depois, cada grupo escolheu uma forma de compartilhar as histórias contadas.
No final do dia percebemos a importância de continuarmos juntos e isso gerou a oportunidade para que pessoas de uma comunidade pudessem visitar outras comunidades. Decidimos, então, visitar no sábado Pilões e no domingo Cedro e Ribeirão Grande.
No sábado dia 07 de fevereiro, acordamos com um café no fogão à lenha e fomos para Pilões, onde o pessoal nos esperava com galinhada e arroz produzido na roça da comunidade e socado em pilão de madeira.
Depois de um banho no Rio Itacolomi e de almoçar fomos para o barracão da associação local onde os moradores fazem as reuniões da comunidade. Ali, nos encontramos com famílias e com Seu Napoleão, um dos moradores mais antigos de Pilões e fundador da associação.
A noite visitamos a comunidade São Pedro. Lá, fomos recebidos pela Valni na casa de pau-a-pique coberta com sapê. Valni é mãe do Luís Marcos e Heloísa que participaram dos encontros.
No dia 08 de fevereiro, domingo, fomos para Barra do Turvo conversar com as comunidades de Cedro e Ribeirão Grande mobilizadas por Nilse, que participou do processo desde o dia 06 de fevereiro. Moradores de Cedro e Ribeirão Grande estavam reunidos na Igreja para a missa de domingo. Ao lado, no salão comunitário, tivemos a primeira reunião do dia. No final da reunião todos tocaram tambor, e o som nos fez acessar sensações distantes, mas que aos poucos, na conexão das lutas e no relembrar da história, voltam desconstruindo preconceitos e ensinando a todos sobre nós mesmos.
Depois fomos para Ribeirão Grande. Esta comunidade preferiu preservar as casas tradicionais. Pergutamos para uma criança "O que é ser quilombola hoje". Ela respondeu: "Não sei". Então, perguntamos: "O que os quilombolas nos ensinam?" E aí, ela falou: "Ué, nos ensinam o que os escravos sabiam". Lá, fomos recebidos com um delicioso almoço com alimentos da agrofloresta.
Neste caminho percebemos a necessidade de criarmos ações de fortalecimento das comunidades, através da integração entre a cultura tradicional e atual, os mais velhos e os mais jovens podendo encontrar-se em uma roda de histórias sobre o passado, o presente e o futuro, revendo valores e referências da própria cultura.
O tema da educação diferenciada também foi discutido como um importante eixo dos núcleos de formação. Como as comunidades quilombolas podem se organizar em torno de projetos nos quais tenham autonomia de gestão dos recursos materiais e imateriais, de escolha de referências e de parceiros. Existe a necessidade de formação para a criação de perspectivas para os jovens. Como podemos criar espaço de educação e produção de conteúdos, de forma autônoma e coletiva?
Alguns outros eixos que foram abordados para aprofundarmos: a história das comunidades e as primeiras famílias que ali se instalaram, as questões ambientais, burocracias e processos judiciais aos quais todos os moradores são submetidos, diferentes sistemas de trabalho como coivara e agrofloresta, religiosidade e perda das matrizes africanas.
Estamos aqui, em algum lugar em alguma hora, este é o Núcleo de Formação Permanente. Núcleo porque estamos juntos criando força cada um com sua bagagem. Formação porque estamos aprendendo e ensinando. E é permanente porque sabemos que o dano que fez a escravidão e as políticas que continuam até hoje, é muito profundo. A luta será continuada enquanto as injustiças continuarem, e quando tivermos nossa terra, nossa cultura, nossas escolas, nossa saúde e nossos direitos garantidos vamos continuar permanentemente nos educando e compartilhando a vida.
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Vídeo produzido coletivamente pelo Núcleo de Formação Vale do Ribeira (fev/2009)
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Este vídeo é a sistematização coletiva da primeira etapa do Núcleo de Formação Continuada da Rede Mocambos junto ao coletivo Política do Impossível (projeto Voz Livre), realizado no Vale do Ribeira em Fevereiro de 2009.
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Princípios e Missões do Núcleo Iporanga
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Em março de 2009, aconteceu o segundo encontro do Núcleo de Formação Continuada do Vale do Ribeira. Durante quatro dias, representantes de diversas comunidades quilombolas do Vale (Nhunguara, Cangume, André Lopes, Pilões, São Pedro, Cedro, Bombas, Ribeirão Grande, Pedra Preta, Poça e Reginaldo), representantes da Casa Tainã (Campinas), PI – Política do Impossível (São Paulo) e parceiros (como Rosana Meneses, pesquisadora das questões de leis de titulação de terras e Janaina, secretária de turismo de Iporanga) se reuniram em Iporanga, onde realizamos dinâmicas em pequenos grupos, discussões em grandes rodas e, a partir daí, definimos missões, princípios, eixos de pesquisa e parceiros para o Núcleo.
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